domingo, 5 de março de 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Ervilhas


Eu não sei se os seus cabelos continuam embaraçados atrás da orelha. Não sei se você finalmente conseguiu tirar a sua carteira de motorista, muito menos se aquele cachorrinho da sua mãe parou de mastigar os seus chinelos. Demorei dois anos para entender que não faço mais parte da sua vida. Foi um processo doloroso, confesso. No início evitei qualquer receita que levasse ervilhas. Ervilhas. Deus, como as odiei! Eu detestava lembrar como você ficava irritantemente lindo retirando-as dos pratos. Eu odiava, sobretudo, a sua essência cristalina e intocável. Você não podia ter me decepcionado um pouco? Imergi, então, no que eu tinha. Deixei doer. Sangrei. Passei pelas fases do luto como uma aluna aplicada e sinceramente não creio estar próximo ao fim desse processo de desamor. Eu não quero que deixes de existir em mim, no entanto, habitas outro comodo em minh'alma. Seguimos existindo longe, sem ultrapassar essa linha que a vida desenhou. Você aí e eu daqui. Isso não quer dizer que em todos os dias não o vejo sorrindo em todos os pontos da cidade, eu só talvez tenha entendido que ervilhas não são tão amargas assim.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Impenetrabilidade

Querido Emanuel,

Eu poderia morar aqui, no seu peito por toda a minha vida.
Eu preciso escutar as batidas desenfreadas do seu coração por mais alguns minutos...
Deixe-me duvidar de Newton, enquanto observo os nós de nossas pernas. Deixe a sua respiração dançar com a minha. Você guia. Eu guio. Sístole. Eu não vou parar. Diástole. Lua. Ar.
Eu quero morar na sua respiração. Eu quero aprender você. Eu quero esquecer quem sou, mas ao seu lado. 

Sua,
Maria.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Chorinhos e Valsinhas

Não gosto que usem o meu Maria Clara. Sou melhor Maria ou Clara. Não os use grudadinhos, per favore! Do contrário, vou achar que está me xingando ou chamando minha atenção. Já tive sérios problemas com a distância. Mas aprendi que saudade é amor, não o inverso disso. Se amo sinto saudades. Simples assim! Gosto muito de pessoas e das historias que elas trazem. Adoro observar quando elas deixam escapar pequenas solidariedades. Sofro todas as vezes que dou um bom dia ao trocador e ele não responde. Gosto de fotos 3x4, de Veneza, de Manga e de Montes Claros. Eu poderia passar a minha vida, assistindo Amelie Poulain. Minha poesia preferida é O Haver, de Vinicius. Eu moraria nas miudezas de Manoel De Barros com a máxima certeza que possuo. Eu ainda escrevo cartas e mensagens no meio da madrugada. Só escrevo escutando música. Só tomo banho escutando música. Só durmo quando há música. Tenho sérios problemas com rótulos, eu decididamente os detesto. Por muito tempo eu fui a Julieta. Sim, a Capuleto. Mantive todas as minhas poesias em segredo em gavetas e folhas esquecidas. Depois fui Eleanor Rigby e finalmente comecei a postar meus escritos na internet. Meu primeiro blog foi o Grão de Pólen e teve fim porque fiz questão de esquecer a senha. Meu segundo blog, foi o Rosa Efémera, onde recebi o convite do escritor Rui Fernando, para publicar meu primeiro livro. In Versos, uma coletânea de poesias minhas e dele. Eu tenho vício por mãos. Tenho medo de mentiras, de pessoas amargas, armas, toxinas e dos seres que se tornam menos humanos em busca desesperadora por vagas, promoções e primeiros lugares. Quero ser mãe da Diana. Eu sinto. Sinto demais. Tudo, absolutamente tudo me consome e devasta tudo que tenho por dentro. Gosto de observar as estrelas. Meu desenho preferido é Arnold, cabeça de bigorna. Acredito fielmente em Deus. Leio imaginando vozes. Quero conhecer o México. Não fumo. Eu bebo. Não finjo. Sou filha de músico. Um músico poeta. Um músico poeta, tocador de sonhos e estrelas. Filha de professora, feita também de acordes e poesias. Poesia e música decididamente se confundem no meu DNA. Minha irmã, Mari, é a mais velha e mais legal. Dona da risada mais alta, e deliciosa e do mundo. Estudo Publicidade e Propaganda, e sou apaixonada pelo curso. Já tentei outras coisas, mas só nesse curso consegui ser eu. Assumi meus cachos e isso significou assumir minhas raízes, minha identidade. Escrevi esse texto pela primeira vez em 2011, e todos os anos eu mudo tudo. Um amigo uma vez disse: " Ninguém acorda José todos os dias." E que belo é isso. Isso de poder se reescrever todas as manhãs. E olha, eu lhe desejo o mesmo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Algumas ausências doem como um soco lateral no estômago, outras aliviam.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Bilhetinho para uma menina que tem medo

Querida menina,

Coloque os fones de ouvido e voe por aí.
Vê-la sonhando me faz querer voar também.





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Querida Luana,

 Desculpe se pareço intrometer em uma historia que não me pertence. Eu sempre achei mais fácil escrever sobre o amor dos outros. Luana, minha querida, precisamos entender algumas coisas. Já se olhou no espelho hoje? Quero propor-lhe um processo de perdão a si mesmo. Se perdoe pelo tempo que esqueceu de ser protagonista de sua própria historia. Eu entendo, de todo o meu coração. É altamente compreensível que você prefira viver o mundo do outro. Eu entendo quando em prantos, seu peito corrói por estar caminhando sozinha. É necessário que saiba, assim mesmo por palavras deitadas em um papel, você precisa desse tempo de deserto. Você precisa abraçar primeiramente o seu dom da singularidade, de ser um, para depois pensar em somas. Talvez você tenha deixado um pouco de ti pelo caminho, mas eu preciso muito dizer, você é linda. Eu sei, você não acredita. Se ao menos você pudesse se ver... Estou aqui, pronto para emprestar meus olhos.

Com amor,
Otávio.